​UEPG realiza primeira etapa do vestibular presencial em 13 cidades

A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) iniciou neste domingo (2) a primeira etapa das provas do vestibular 2020, que terá continuidade nesta segunda-feira (3). É a primeira universidade pública do Paraná a realizar o vestibular de forma presencial desde o início da pandemia. Os inscritos disputam 1.415 vagas em 39 cursos.

Além de Ponta Grossa, as provas ocorrem em Apucarana, Cascavel, Castro, Curitiba, Francisco Beltrão, Guarapuava, Irati, Jacarezinho, Maringá, Palmeira, Telêmaco Borba e Umuarama. O primeiro dia contou com questões de conhecimento geral e redação. Nesta segunda-feira são questões específicas.

Dos 9.946 inscritos, a edição deste ano registrou 33,75% de ausência. O número já estava previsto pela Coordenadoria de Processos de Seleção (CPS). “Ficou dentro da expectativa, considerando ser um processo de seleção realizado em uma pandemia”, disse o coordenador da CPS, Edson Luis Marchinski.

Para evitar aglomerações, as salas foram ocupadas por, no máximo, 50% da capacidade total e a entrada ocorreu com filas fracionadas e distanciamento de 1,5 metro entre os candidatos. Tudo com a orientação e fiscalização dos colaboradores.

Os candidatos também tiveram à disposição álcool em gel 70% e passaram por medição de temperatura na entrada. A UEPG adquiriu 2 mil frascos de álcool e 100 termômetros para garantir a segurança nos dias de prova.

 

O reitor Miguel Sanches Neto visitou os locais de prova e enfatizou que este foi um vestibular muito esperado pela comunidade. “Não existe aglomeração na entrada e nas salas de aula. E faremos o vestibular de maneira segura, garantindo a segurança das pessoas, mas também a manutenção das provas e o ingresso em nossa universidade”, disse.

Sanches ainda destacou a importância de todos usarem máscara e manterem o distanciamento, para que o momento traga maior tranquilidade para os vestibulando e comunidade. “A UEPG está promovendo o seu vestibular com todas as medidas de segurança de maneira absolutamente correta no ponto de vista da saúde”, finalizou.

Redação

Para a redação deste ano, os candidatos precisaram escrever um texto dissertativo-argumentativo respondendo a pergunta: “Existirá um papel social para as bibliotecas públicas no futuro do Brasil?”

A candidata Eduarda Cora Bescher não escondeu a confiança de prestar o vestibular para o curso de Jornalismo. Vinda da cidade de Reserva, no Paraná, a estudante explicou que foi um ano difícil para a preparação dos conteúdos, por conta das aulas online. “Para mim, que sou de escola pública, foi bem mais difícil o processo de estudar as matérias, mas estou aqui para dar o meu melhor”, disse.

Julio Henrique Tomoyuki Morizono tenta uma vaga no curso de Direito. “Vim de Wenceslau Braz e estou um pouco ansioso, mas estudei bastante e estou confiante que vou conseguir minha vaga”, afirmou.

Segurança

As provas ocorreram com um rígido Protocolo de Biossegurança, elaborado pela CPS/UEPG, que foi aprovado pela Secretaria de Estado da Saúde. Desde a última segunda (26) até quarta-feira (28), os profissionais que atuam no vestibular passaram pela testagem para Covid-19. Os testes envolveram a coleta de uma amostra de saliva com o método RT-PCR, que identifica a presença do vírus Sars-CoV-2 no organismo, em período de transmissão. As testagens fazem parte de uma parceria com o Setor de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

No fim de semana, os resultados dos testes apontaram que, das 1.100 pessoas que tiveram amostras coletadas, apenas cinco testaram positivo para Covid-19. As testagens serão feitas, também, 10 dias após a aplicação das provas para possibilitar o controle da disseminação do vírus.

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Butantan paralisa produção de vacinas por falta de insumos

O Instituto Butantan finalizou hoje (14) as entregas do primeiro contrato para fornecimento de vacinas contra o novo coronavírus ao Programa Nacional de Imunizções (PNI). Foi disponibilizado o total de 1,1 milhão de doses, somando 47,2 milhões de doses da vacina CoronaVac, elaborada em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

O contrato previa o fornecimento de 46 milhões de doses da vacina. Assim, o lote de hoje também é o início do cumprimento do segundo contrato para a disponibilização de 54 milhões de doses até o final de agosto.

O Butantan informou que vai paralisar a produção até a chegada de um novo lote com 10 mil litros de insumo farmacêutico ativo (IFA), matéria-prima da vacina. Segundo o governo de São Paulo, o carregamento ainda não foi liberado pelo governo chinês para ser embarcado ao Brasil. “Esses 10 mil litros correspondem a aproximadamente 18 milhões de doses da vacina, absolutamente necessários para manter a frequência do sistema vacinal, acelerar e atender os que precisam da segunda dose”, disse o governador João Doria.

Ele atribuiu o atraso na liberação do envio do material a um “entrave diplomático” causado por declarações “desastrosas” de autoridades do governo brasileiro em relação à China e à própria vacina.

A entrega de insumos já sofreu outros atrasos semelhantes. Segundo o diretor do Butantan, Dimas Covas, a finalização do primeiro contrato de fornecimento ao PNI teve um atraso de 12 dias.

Atrasos no cronograma

Com a atual demora na entrega de matéria-prima, a estimativa de Covas é que só sejam disponibilizadas cinco milhões de doses de vacina em maio, quando a previsão inicial era de 12 milhões de doses.

O governo de São Paulo avalia que as doses disponíveis no momento são capazes de atender todos os grupos convocados para receber a imunização. No entanto, Covas lembrou que alguns municípios, seguindo recomendação do Ministério da Saúde, usaram todas as doses de CoronaVac para a primeira etapa da imunização e podem ter dificuldades para aplicar a segunda dose. Problema que, de acordo com o presidente do Butantan, não acontece no estado de São Paulo.

Itamaraty

Em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado, no último dia 6, o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, disse que a relação com a China está entre as prioridades do governo brasileiro. “Queremos um relacionamento econômico e comercial maior e mais diversificado com a China”, afirmou na ocasião.

Embaixada da China

Em publicação nas redes sociais, a embaixada chinesa no Brasil destacou a cooperação com países em desenvolvimento para o acesso a vacinas e insumos. “A China é o maior fornecedor de vacinas para países em desenvolvimento, oferecendo assistências vacinais a mais de 80 nações em desenvolvimento e exportando o imunizante a uns 50 países. A China continua a honrar seu compromisso de tornar suas vacinas um bem público global”, diz a publicação.

Anvisa autoriza uso emergencial de coquetel contra a covid-19

A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou hoje (13) o uso em caráter emergencial de um novo coquetel de anticorpos para o tratamento de pacientes com covid-19. A área técnica e os diretores avaliaram que o uso combinado dos medicamentos Banlanivimabe e Etesevimabe, da empresa Eli Lilly do Brasil, para casos em estágios iniciais traz benefícios, ainda que permaneçam algumas incertezas.

Os anticorpos objetivam neutralizar o vírus antes que ele entre na célula. Conforme análise dos técnicos da agência, eles têm potencial de eficácia maior quando empregados conjuntamente do que no uso individual.

De acordo com as equipes de análise da agência, quando utilizados juntos, os dois medicamentos podem reduzir em até 70% a incidência da covid-19. Tal eficácia se daria em pacientes que ainda não tenham evoluído para quadro grave e tenham alto risco de progressão.

O termo “alto risco” envolve pessoas com condições de saúde como idade avançada, obesidade, doença cardiovascular, diabetes mellitus tipos 1 e 2, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica ou imunossuprimidos.

A orientação é que a aplicação seja feita em hospitais, em razão da estrutura disponível e dos profissionais que realizam o procedimento. A Anvisa não indicou o uso em pacientes com quadros graves, situações em que o coquetel pode agravar o problema. Os remédios não poderão ser comercializados.

O uso emergencial foi autorizado por 12 meses. O tempo de espera para uso do coquetel, após aberto, não pode ser superior a 24 horas em ambiente refrigerado e sete horas em temperatura ambiente.

“Durante a emergência de saúde pública, a autorização emergencial é instrumento regulatório para fomentar tempestivamente opções terapêuticas mesmo em face de um produto em desenvolvimento clínico”, declarou a diretora Meiruze Freitas.

“A partir dos dados apresentados, os benefícios conhecidos e potenciais dos medicamentos quando utilizados em uso emergencial superam os seus riscos”, complementou o também diretor Alex Campos.

Incertezas

A indicação é que o coquetel seja aplicado a adultos. No caso de adolescentes, não houve comprovação de eficácia nos ensaios clínicos. A equipe técnica da Anvisa também apontou o que chama de “incertezas”, ou pontos não comprovados pelos documentos enviados pelo fabricante. Os técnicos defenderam a continuidade do monitoramento do uso do grupo de medicamentos para avaliar seus efeitos.

Entre as incertezas está a falta de ação contra a variante P1, existente no território brasileiro. “Isso gerou muita discussão na área porque a gente sabe que é uma variante significativa na nossa realidade. Muitas vezes o diagnóstico e teste para identificar a variante é mais limitado. Como essa associação de anticorpo mostrou resultados favoráveis, há incerteza de eficácia contra variante, mas ainda assim tem benefício plausível”, analisou o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes.

Este ponto foi considerado pelos diretores. “Ainda que haja pontos que não podem ser respondidos em sua totalidade, como a comprovação de eficácia clínica do produto contra a variante P1, é indiscutível o impacto que um medicamento que impede a progressão da doença pode trazer aos serviços de saúde”, concluiu a diretora Cristine Jourdan.